Hebrom

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O nome Hebrom remonta a duas raízes semíticas (hebraico e amorreu) que se fundem na forma raiz ḥbr. O nome denota uma gama de significados que variam de “colega”, “unir” ou “amigo”. O sentido original pode ter sido uma aliança, possivelmente com os hititas que viviam em Canaã. O termo árabe deriva do Alcorão para Abraão ou Khalil al Rahman, que significa literalmente “Amigo de Deus”. Assim, o árabe Al Khalil traduz com precisão o antigo topônimo hebraico (nome do local) Ḥebron, entendido como ḥaber ou amigo.

Nos atuais comentários seu nome significa “aliança”, “confederação”, “comunidade”. Seu nome antigo é Quiriate-Arba (Js 15.13-14 ; 21.11 e Jz 1.10). Arba era o pai de Anaque que gerou Sesai, Aimã e Talmai. Quiriate-Arba refere-se à “Tetrápolis”, cidade dos quatro, isto é, as quatro cidades confederadas dos anaquins, das quais Arba vinha a ser a maior. É possível que essas alianças possuíam um carácter militar. Talvez Hebrom tenha recebido esse nome como uma referência ao acordo de Abraão com os amorreus, ou pela confederação dos antigos anaquins.

Vista aérea da moderna Hebrom

Hebrom fica cerca de 46 km de Betel, aproximadamente 2 dias de viagem, e 30 km de Jerusalém, em menos de uma dia de viagem. Hebrom pertence à cordilheira da Judéia, com uma altura de 972 m acima do nível do mar, e era a cidade mais alta de Canaã. Ficava na junção das principais estradas da região. À volta de Hebrom havia oliveiras, parreiras, fontes, poços e pastos, ou seja, uma região fértil. Hebrom ficava no que seria posteriormente o território da tribo de Judá, ao sul de Jerusalém.

A caverna de Macpela, em que Abraão comprou para enterrar sua esposa Sara, fica muito próxima à antiga cidade, e que se tornou o sepulcro da família recebendo os restos mortais de, além de Sara, também Abraão, Isaque e sua esposa Rebeca, Jacó e sua esposa Lia. Raquel foi enterrada próximo de Belém. Os filhos de Jacó não têm suas sepulturas conhecidas, além de José, que foi enterrado nas terras que herdou de seu pai em Siquém. Abraão comprou as terras de um grupo de hititas que viviam na região, o que é uma evidência das confederações de tribos que viviam na região. Josefo, Eusébio e Jerônimo citam o sepulcro dos patriarcas, que eram bem conhecidos em sua época. Herodes foi o responsável pela construção que vemos hoje no lugar.

Vista externa da Sepultura dos Patriarcas

Um marco importante na atual cidade de Hebrom é Deir el-Arba’in, local do tradicional sepultamento de Rute e Jessé. Os estudiosos parecem concordar com os locais de sepultamento dos patriarcas de da família de Davi.

Hebrom é uma das cidades mais antigas de Canaã. Nm 13.22 diz que Hebrom foi fundada 7 anos antes de Zoã (Tânis, segundo Flávio Josefo) no Baixo Egito. Entretanto não há registros de Tânis antes da 19ª Dinastia do Egito, no Novo Império. Mas há evidências de ocupação humana já em 3.300 a.C., no período Calcolítico.

O primeiro assentamento expandido no local é datado do início da Idade do Bronze Antigo II (2.700 – 2.300 a.C.). Um assentamento fortificado foi descoberto com uma área de aproximadamente 7,4 acres. Mas este assentamento foi destruído e queimado em cerca de 2.300 a.C. Não existem referências escritas antigas para a cidade do início do bronze, nem sabemos seu nome original, ou sobre seus habitantes.

Escavações em Hebrom

Descobriu-se em escavações que em 2.000 a.C. Hebrom já era uma cidade bem estrutura, com túneis para enterrar seus mortos. Esses túneis foram limpos e transformados em cisternas na época dos hebreus. Nas escavações realizadas na década de 1960 descobriu-se que a cidade estava cercada por uma enorme muralha de pedra talhada e uma galeria externa que sustentava a muralha. Essas impressionantes fortificações enfatizam a importância da cidade durante esse período. Outra evidência da estrutura da cidade é uma tabuinha com escrita cuneiforme descoberta no local que atesta um sistema independente de governança que mantinha relações comerciais com os reinos vizinhos.

Em aproximadamente 1.650 – 1.550 a.C. Hebrom foi destruída pelos hicsos. Foram encontrados esqueletos de homens e crianças, as mulheres provavelmente foram levadas como escravos.

Pensava-se, até recentemente, que no período arqueológico da Idade do Bronze Tardio (1.600 – 1.200 a.C.) não havia evidências de ocupação, mas foram encontrados restos da ocupação em seis áreas diferentes da cidade. Hebrom era de fato uma cidade ativa durante o final da Idade do Bronze Tardio. Em alguns casos foi determinado que casas construídas na Idade do Bronze Médio (2.000 – 1.600 a.C.) continuaram a ser usadas no final da Idade do Bronze, como mostra a cerâmica encontrada.

Vista de Hebrom, 1890

Durante o período da Conquista por Israel, doze espias foram enviados para analisar a terra. Um dos locais explorados foi a região de Hebrom, em que foi relatada a presença de anaquins na região. Sob o comando de Calebe e seu clã, a cidade foi conquistada e os gigantes foram expulsos e mortos. Logo depois a cidade tornou-se uma Cidade de Refúgio (Js 20.7), instituída como um lugar para onde o homicida poderia fugir até ter seu caso analisado pelos anciãos da nação, ou até o sumo-sacerdote morrer.

A cultura material em Hebrom durante a Idade do Ferro I (1.200 – 1.000 a.C.) foi semelhante a outros locais no país, identificados com os primeiros israelitas. A cerâmica inclui fragmentos de jarros de aro de colarinho que são frequentemente associados aos primeiros israelitas. O início do reinado de Davi é geralmente datado de cerca de 1.000 a.C., no ponto de transição da Idade do Ferro I para a Idade do Ferro II. Nessa época, Hebrom não era apenas murada e ocupava sua próspera população, mas parecia estar crescendo.

Depois de Saul morrer, Davi não assumiu o trono de Israel imediatamente. Enquanto o filho de Saul reinava em Maanaim (2Sm 2 – 4), Hebrom tornou-se a capital do rei Davi por sete anos (2 Sm 2.11) até a morte de Isbosete, e em que todas as tribos o aceitaram como rei. Talvez pela perda de prestígio que os habitantes de Hebrom apoiaram Absalão em seu golpe de estado contra o pai e tomada de poder em Jerusalém. Foi desenterrada uma casa do período da monarquia (séc. XI e X a.C.), foi fortificada por Roboão (2Cr 11.10).

Senaqueribe (705 – 681 a.C.) conquistou parte de Canaã em 701 a.C., mas foi incapaz de capturar Jerusalém. O rei da Assíria se gabava de ter destruído 46 cidades muradas em Judá, e certamente Hebrom era uma delas. Seus cidadãos faziam parte dos mais de 200.000 judeus deportados que Senaqueribe afirmou ter sido levados para o norte da Mesopotâmia.

Nabucodonosor II

Hebrom renasceu no final do século VII a.C., mas foi novamente destruída pelas forças babilônicas em 589 a.C. por Nabucodonosor (586 a.C.). A muralha da cidade, com 1.100 anos de idade, foi aberta e derrubada.

Depois do retorno do cativeiro da Babilônia Hebrom foi reconstruída (Ne 11.25). Posteriormente os idumeus (descendentes de Edom, Esaú) apossaram-se da cidade, mas perderam o controle para os judeus durante o período da Revolta dos Macabeus. No período romano, na mesma época da destruição de Jerusalém, Simão bar-Giora ocupou a cidade até que foi atacada e incendiada pelos romanos.

Tomada de Jerusalém, 1ª Cruzada, 1.099 d.C.

Durante as cruzadas a população diminuiu muito e refloresceu sob os muçulmanos, em que foi encontrado restos de um palácio residencial islâmico, e por baixo do pátio, arqueólogos encontraram restos de ocupação romana. Saladino conquistou a cidade quando caiu na mesma época em que Jerusalém também caiu em suas mãos (1.187 d.C.). Nas mãos dos muçulmanos Hebrom recebeu um novo nome, El-Khalil, “Amigo de Deus” e foi considerado sagrado por ser o local de sepultamento do patriarca Abraão, pai de Ismael, ancestral dos povos árabes. A tradição árabe também afirma que o profeta Maomé passou por ali em sua viagem noturna pelos céus. Por causa das cruzadas um bispado cristão foi instituído na cidade em 1.168 d.C., mas voltou ao controle árabe não muito tempo depois.

Desde o séc. XVII d.C., Hebrom é um centro importante da cabala. Infelizmente os cristãos tem grandes dificuldades de acessar os locais sagrados, na maioria é controlado por grupos muçulmanos, e alguns por judeus, mas nenhum por cristãos, daí a dificuldade.


Referências Bibliográficas

  • Josefo, História dos Hebreus, livro 1, cap. 8.
  • Champlin, R. N. O antigo Testamento interpretado. Vol. 6. 2ª Edição, São Paulo. Editora Hagnos, 2001
  • Bright, J. História de Israel. 7ª Edição, São Paulo. Editora Paulus, 2012.
  • Ancient Canaanite and Biblical Hebron (Tel Rumeida) in Israel. Disponível em: http://ancientneareast.tripod.com/Hebron.html
  • Dicionário Judaico de tradições.

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